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Geração Z em campo: 80 mudas, 23 voluntários e um futuro em construção

Antes da primeira muda tocar a terra, a ação já tinha começado. Começou nas primeiras horas da manhã, quando voluntários se organizaram para chegar juntos ao Jardim Botânico Mborayhu. Alguns se esperaram nas estações de metrô do Grajaú. Outros ofereceram caronas. Teve mensagem para combinar caminho, cuidado para ninguém ficar para trás, café da manhã compartilhado. Em maio, realizamos uma ação de reflorestamento que reuniu 23 voluntários e resultou no plantio de 80 mudas de árvores de diversas espécies, entre frutíferas nativas da Amazônia e outras espécies nativas emblemáticas. Mais do que números, cada muda carregava uma intenção: fortalecer o solo, ampliar a biodiversidade, criar futuro e lembrar que a natureza também responde quando recebe cuidado. Ao chegar no Jardim Botânico, a mesma colaboração que marcou o caminho continuou no plantio. As pessoas se dividiram, se ajudaram, trocaram ferramentas, abriram espaço, seguraram mudas, prepararam a terra e aprenderam umas com as outras. Havia quem já tivesse experiência e quem estivesse plantando pela primeira vez. Havia silêncio, conversa, escuta, esforço físico e presença. E é curioso perceber como cada pessoa chega a uma ação assim. Muitas chegam sem grandes expectativas. Sabem que estão ali por uma causa coletiva, entendem a importância de reflorestar, mas também carregam motivos muito próprios. Alguns buscam conexão com a natureza. Outros querem fazer algo concreto pelo planeta. Há quem vá por curiosidade, por vontade de conhecer pessoas, por necessidade de sair da rotina ou simplesmente por sentir que precisava estar ali. A missão, então, não é transformar todos esses motivos em uma única resposta. É fazer uma curadoria pelo sentir. É criar um espaço onde cada pessoa consiga se reconhecer no que está fazendo, sem perder sua individualidade, mas percebendo que seu gesto faz parte de algo maior. Foi isso que aconteceu no Mborayhu. Aos poucos, o plantio deixou de ser apenas uma tarefa ambiental e se tornou uma experiência de pertencimento. Cada buraco aberto na terra parecia abrir também uma conversa sobre presença, responsabilidade e futuro. Cada muda plantada era pequena no tamanho, mas enorme no significado. Porque reflorestar não é só colocar árvores no chão. É lembrar que toda floresta começa com um gesto. E que, quando muitas mãos se juntam, aquilo que parecia individual se transforma em paisagem coletiva. No fim, as 80 mudas ficaram ali, enraizadas no Jardim Botânico Mborayhu. Mas talvez algo também tenha ficado plantado em cada voluntário: a certeza de que cuidar da terra é, ao mesmo tempo, cuidar dos vínculos que nos fazem seguir. Uma floresta cresce devagar. Mas começa exatamente assim: com gente disposta a chegar junto.

SAÚDE MENTAL
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SAÚDE MENTAL

A solidão não é apenas a ausência de companhia. Ela aparece quando existe uma distância entre os vínculos que temos e aqueles de que realmente precisamos. Todos os anos, a solidão e o isolamento social estão associados à morte de centenas de milhares de pessoas. Seus efeitos sobre a saúde podem ser comparáveis aos provocados pelo hábito de fumar 15 cigarros por dia, segundo estudos citados na reportagem. Apesar de não ser um fenômeno novo, a solidão passou a receber mais atenção nos últimos anos. Uma das razões é o crescimento do número de pessoas que se sentem desconectadas, pouco acolhidas ou com a impressão de não pertencer a lugar algum. Para a ciência, a solidão pode ser entendida como a diferença entre os relacionamentos que uma pessoa possui e os vínculos que gostaria de ter. Por isso, estar acompanhado não significa, necessariamente, sentir-se conectado. Alguém pode experimentar a solidão dentro de um casamento, entre amigos, no trabalho ou até mesmo em uma multidão. É a sensação de estar presente, mas não ser verdadeiramente visto, ouvido ou compreendido. Um estudo realizado em 2021, com 756 participantes acompanhados durante dois anos por meio de um aplicativo, indicou que a sensação de solidão pode aumentar em ambientes superlotados e densamente povoados. A constatação levanta uma pergunta importante: em cidades cada vez maiores e em uma rotina cada vez mais mediada por telas, estamos realmente mais próximos uns dos outros? Na reportagem em vídeo, o jornalista André Biernath investiga como a solidão afeta a saúde, a vida em sociedade e até a economia. Ele também apresenta iniciativas que procuram reconstruir vínculos e criar espaços onde as pessoas possam voltar a se sentir parte de uma comunidade. Onde buscar ajuda Sentir solidão não é sinal de fraqueza. Quando esse sofrimento se torna frequente ou começa a afetar a rotina, é importante procurar apoio. O atendimento pode ser buscado nas Unidades Básicas de Saúde — UBSs e nos Centros de Atenção Psicossocial Caps. Para apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

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